Casas Bahia estica prazo de pagamento

Claudia Facchini, de São Paulo
14/08/2008
Fonte Emissora: Valor Econômico

Klein, da Casas Bahia: as vendas em julho, com as lojas novas, cresceram 3%
Com a alta da inflação e dos juros, as varejistas colocaram em prática o "plano b" e conseguiram fazer com que os consumidores não saíssem da loja sem comprar. A Casas Bahia, maior rede de eletrônicos e móveis do país, ampliou o número de prestações para não precisar aumentar o valor das parcelas, o que suavizou o impacto de juros e preços mais salgados. Em vez de oito vezes, a varejista passou neste ano a dividir, em média, os pagamentos em dez parcelas fixas. 

Os balanços das empresas ligadas ao varejo com ações negociadas em bolsa também mostraram que não houve desaceleração importante do consumo no segundo trimestre. Lojas Americanas, Pão de Açúcar, Lojas Marisa e BR Malls, que possui 34 shoppings, estão entre as empresas que tiveram bons resultados de vendas e de lucro. 

Redes, como o Pão de Açúcar, investiram em parcelamentos sem juros, fizeram propaganda e promoções ou mantiveram as margens brutas em níveis mais baixos para atrair os consumidores, que abriram a carteira. E essa tendência tem tornado, para a equipe econômica do governo Lula, mais árdua a tarefa de desacelerar a economia. 

Michael Klein, principal executivo da Casas Bahia, afirma, porém, que a estratégia de ampliar as prestações tem o seu preço. "Vendemos as mercadorias em prestações fixas, mas os recursos captados com os bancos (para financiar o consumidor) são pós-fixados". Os custos de captação da empresa estão atrelados à Selic e sujeitos a variações, enquanto seus recebíveis são prefixados. Esse descasamento de "moedas" é preocupante, diz Klein. "Nossa rentabilidade piorou". 

Neste momento, os juros tiram mais o sono dos lojistas do que o aumento dos preços em si. Como os estoques também são corrigidos pela inflação, o varejo tende até a antecipar as aquisições num cenário de alta dos preços, elevando o total de mercadorias nos depósitos. Segundo um executivo do setor, a inflação transforma-se em um grande problema quando começa a corroer o poder de compra. Mas o aumento da massa salarial neutralizou esse efeito neste ano. 

Segundo Klein, quando os preços estavam em queda, em 2007, a Casas Bahia reduziu o seu estoque, que girava em torno de 60 dias de vendas, para 40 dias. O empresário diz que não sentiu necessidade de alterar a sua política de compras com a volta inflação e manteve os estoques nesse patamar. "O consumidor não aceita aumento de preços", diz Klein, que afirma que também está resistindo ao máximo aos reajustes da indústria. 

Em julho, a Casas Bahia sentiu que os consumidores recuaram se um pouco mais. As vendas em lojas comparáveis caíram 3% em relação a igual período de 2007. Mas, quando somadas as novas lojas, as vendas totais da varejistas cresceram 3%. 

A Casas Bahia prevê faturar algo em torno de R$ 14 bilhões neste ano, R$ 1 bilhão a mais do que em 2007. A rede, que possui 550 lojas, inaugurou 20 unidades neste ano e espera abrir mais 10 até dezembro. 

Não é só a situação econômica que afeta o desempenho de uma loja: a abertura de outra unidade pode comprometer os resultados de uma filial existente. Como a Casas Bahia já é forte em São Paulo, os analistas temem que o potencial de expansão da rede na capital esteja esgotado. "O mercado de São Paulo não está saturado, de forma alguma", rebate Klein, que abriu só na região oeste da cidade quatro lojas recentemente.

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