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Emprego cresce 4,24% no semestre
Antonio Rogério Cazzali
26/08/2008
Fonte Emissora: Valor Econômico
O emprego formal no setor de embalagens superou os 200 mil postos de trabalho no primeiro semestre, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Embalagem (Abre) feito em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), do Rio de Janeiro, e que toma como referência os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o coordenador de análises econômicas da FGV, Salomão Quadros, esse índice é 4,24% superior ao obtido no mesmo período do ano passado. O segmento de embalagens plásticas é o que mais tem assimilado pessoal, com 104,5 mil postos no período. Depois aparece o de embalagens de papelão ondulado, com 33,7 mil empregos, seguido pelos fabricantes de embalagens de papel e de latas metálicas que geraram, respectivamente, 19,9 mil, 19,3 mil postos de trabalho. O setor de vidros emprega atualmente 7,7 mil funcionários.
Segundo Quadros, várias empresas contratam efetivos pequenos, mas que somados contribuíram para essa elevação. O economista estima que a informalidade no segmento seja pequena, da ordem de 2%.
De acordo com Quadros, 2009 não será um ano muito tranqüilo para os fabricantes de embalagens. "Tudo indica que a taxa de juros será elevada para refrear o consumo, e a tendência é a de que tenhamos um arrefecimento do setor, com impacto também na geração dos postos de trabalho."
A Dixie Toga é um dos grandes fabricantes de embalagens flexíveis da América Latina. Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores, Marcos Antonio de Barros, a empresa fez contratações recentes para sua nova planta, inaugurada na Argentina, a segunda naquele país. No Brasil, são nove unidades que suprem os setores alimentício e de higiene e limpeza. "Para nós, o mercado brasileiro ainda está morno, e por isso não fizemos contratações." Segundo ele, a companhia repetiu no primeiro semestre o desempenho do ano passado, da ordem de R$ 550 milhões, e não tem grandes expectativas de crescimento para este final de ano.
Para o presidente da Associação Brasileira de Embalagens (Abre), Paulo Sérgio Peres, é importante perceber que o trabalho formal está cada vez mais consolidado no setor. "A tecnologia avança, e as empresas também buscam essa mesma excelência na maneira de administrar seu pessoal." Apesar disso, o presidente da Abre reconhece que há um déficit na capacitação da mão-de-obra. "Quanto mais sofisticado o equipamento, maior a necessidade de trabalhadores qualificados para operá-lo. E nem sempre esses profissionais são encontrados."
Segundo o coordenador do Núcleo de Estudos da Embalagem da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Fabio Mestriner, a formação de profissionais para a área ainda é precária, com poucos cursos disponíveis, quase todos em São Paulo, os quais não conseguem atender à demanda do país.
A fabricante de embalagens Sanwey Indústrias de Containers, de São Paulo reclama da concorrência acirrada. Como explica seu diretor, Noritaka Yano, muitas empresas pequenas foram abertas nos últimos anos e a oferta do produto aumentou. "Temos 300 funcionários, e possivelmente não elevemos esse número tão cedo, pois, além da concorrência, o preço da matéria-prima subiu cerca de 30% em 2008."
Quem também não pretende fazer contratações é a Embalagens Flexíveis Diadema, situada no ABC Paulista, que atende o setor de alimentos, com produção mensal de 940 toneladas de embalagens flexíveis. "Mantemos o mesmo efetivo desde o início de 2007, apesar de nosso volume de produção crescer 5% ao ano", revela o diretor de relações corporativas & suprimentos da empresa, Sergio Hamilton Angelucci.
Ele afirma que esse crescimento deve-se à redução de custos e ao ganho de produtividade com novas tecnologias. De acordo com o executivo, um problema sério é a concorrência com embalagens importadas que custam até 25% menos que as similares nacionais.
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